3.8.10

RELEMBRANDO OS FILMES DE FAROESTE

RELEMBRANDO OS FILMES DE FAROESTE

Por Lucivânio Jatobá



Era geralmente nas tardes de domingo que nos reuníamos à frente do Cinema. O programa consistia em assistir a mais um faroeste. Antes, trocávamos os almanaques ou figurinhas do álbum de jogadores brasileiros, comprávamos um saquinho de pipocas, com bastante sal, e um chocolate do peixinho, recoberto por um colorido papel de alumínio, que guardaríamos para "marcar" páginas de caderno escolar.

O Leão da “Metro”, de início, iria rugir na tela mágica do cinema. Que urro ensurdecedor, meu Deus! Era o início do espetáculo, do sonho... Naquelas tardes, poderiam surgir ali, diante de nós , meninos inquietos:

John Waine, no magnífico, A Diligência;

Joan Crawford em Jonhny Guitar;

Burt Lancaster, extraordinário, em Duelo de Titãs;

Quem sabe Clint Eastwood, enigmático, em Por um punhado de dólares...

Antes desses deuses despontarem naqueles momentos fugazes, ainda era apresentado o seriado de Batman - o Homem Morcego ou, talvez, o Cavaleiro Negro...

Na segunda-feira, de volta às aulas, teríamos muito assunto para a Hora do Recreio. Comentaríamos o capítulo do seriado, tentaríamos imitar, caboclamente, escondendo-nos atrás de um pilar ou de um muro baixo, a performance dos nossos heróis.

O barulho de tiros fictícios saía da nossa boca; um pouco adiante um amigo cairia, fingindo-se de morto, atingido por uma "bala" fatal disparada por aquele "dublê" de Burt Lancaster. Abriríamos as duas pernas, faríamos um V, e comemoraríamos a vitória, com o "revólver" imaginário, ainda fumegante, sendo colocado na cartucheira.


Retornaríamos à aula, onde a rígida e inesquecível professora, com uma varinha na mão, continuaria a falar da importância de Tiradentes para a nossa Pátria ou da "Guerra das Tabocas", em que o invasor holandês teria sido aniquilado nas terras de Santo Antão das Matas.

Já se passou tanto tempo... Mas ainda escutamos os gritos da meninada quando o mocinho acertava um "pele vermelha" ou matava um bandido feroz, com um tiro certeiro que lhe varava o peito. Politicamente incorreto? Quem sabe? Nem se falava nisso naqueles anos 1950/1960. Contudo, éramos bons meninos. Antes de "apreciar" na tela o genocídio dos índios, nós os católicos orávamos na missa e , num latim que não compreendíamos, pedíamos perdão pelos nossos "pecados" e pela paz. “Gracia plena”...


Agora, décadas depois, restam-nos a solidão e uma série de imagens materializadas em antigos cartazes que eram expostos na entrada dos cinemas de nossa infância. Há uma melancolia que nos devora pacientemente, sem pressa, enquanto aguardamos o por do Sol de nossa existência. Há uma lembrança que, a exemplo da chama de uma vela, começa a se apagar.

Claine Trevor, John Waine, Joan Crawford, Natalia Wood, Burt Lancastar, Gregory Peck, William Holder, Gary Cooper,Dean Martin, Clint Eastwood... Quem mais? A memória já não colabora... Por que não voltam? Estamos todos esperando por vocês nessa tarde de domingo do nosso delírio.

Procure rugir de novo, bravo Leão! Por favor, atenda-nos! Por favor... Já houve as três badaladas. Por favor, estamos aguardando. Há um "pele vermelha" à nossa espreita perto da árvore dos enforcados.

Temos pressa, o Sol está se pondo e logo será noite!




Crônica escrita na manhã do dia 1 de agosto de 2010.

4 comentários:

Ana Amelia disse...

Saudade....
Grande e dolorosa saudade de um período onde o nosso afeto era cada vez mais profundo...
Saudade de um segredo infantil, guardado numa magia garantida...
Saudade do que estava sendo vivido, momentos jamais repetidos, apenas recordados e, mais tarde elaborados...
Saudade de um amor de infância, onde a fantasia reinava na sua imensa dimensão...
Saudade funda, pouco refletida, mas nunca esquecida...
Saudade de ter "saudade"...
Bj.

Anônimo disse...

Prof: Lucivânio, em meio a uma disputa eleitoral que está acontecendo no Brasil entre dois candidatos PT * PSDB na qual vemos um grande engajamento promovido por intelectuais como por ex: Marilena Chauí. Precisamos que o senhor também comente suas posições a respeito do que será melhor para o Brasil. Um abraço!!!

Anônimo disse...

Prof: Lucivânio, em meio a uma disputa eleitoral que está acontecendo no Brasil entre dois candidatos PT * PSDB na qual vemos um grande engajamento promovido por intelectuais como por ex: Marilena Chauí. Precisamos que o senhor também comente suas posições a respeito do que será melhor para o Brasil. Um abraço!!!

Bete Meira disse...

Professor, fui sua aluna no CAB,será que se lembra de mim?Todos me chamavam de Betinha. Na faculdade, mesmo estudando Letras, de vez em quando visitava o senhor no Básico. Saudade!