17.8.11

A METÁSTASE NACIONAL

A METÁSTASE NACIONAL

Lucivânio Jatobá

Os dicionários da língua portuguesa assim definem a metástase: " migração de doença de um órgão a outro a que não está obrigatoriamente ligado anatomicamente.." Observando agora o tecido nacional, notamos que este se encontra em metástase, acarretado por uma doença cruel que impede que mais hospitais públicos sejam construídos, que novas escolas públicas de qualidade sejam edificadas, que mais casas populares sejam levantadas para atender á demanda das classes populares, que o cidadão comum brasileiro possa ter uma vida pelo menos digna. Essa metástase se espalha impressionantemente e, ao que parece, o corpo nacional já se mostra inerte, como que entubado, aguardando apenas um final ou um milagre, milagre este que consiga romper com a ordem doentia vigente. Há , ainda, os que acreditam em milagres políticos...

A metástase da corrupção atingiu praticamente todos os órgãos públicos e inclusive os privados. Nada escapa à sanha devastadora desse processo . Em média, por semana, um grande escândalo de corrupção pipoca aqui, outro acolá... sempre envolvendo milhões a bilhões de reais, muito desse dinheiro advindo dos nossos impostos que pagamos desde o ato de comprar um pacote de café até o que é subtraído dos salários, via imposto de renda.
A sanha da corrupção é incontrolável, indomável! Hoje, 17 de abril de 2011, por exemplo, a Carta Capital publicou, no seu site, que a Polícia Federal acabou de descobrir, mediante a exitosa Operação Alquímia, o desvio de mais de um bilhão de reais. Não leu direito? Não entendeu bem? Repito: 1 bilhão de reais! Há poucas semanas, escândalos atingiram ministros, ministérios, funcionários etc. Semanas anteriores a essas , outros organismos públicos foram englobados pela metástase. Os órgãos se decompõem... Um fedor insuportável se sente na atmosfera nacional.

O Brasil agoniza! Desgraçadamente agoniza num momento em que estava saindo de um estado de letargia doentio, de anos de estagnação.

O Brasil possui 81 senadores. Destes , apenas 8 demonstraram interesse em formar uma urgentíssima frente , numa espécie de recurso derradeiro, contra a metástase. Somente 8 ( oito) senadores ! Inacreditável...
E quando se fala em combater a metástase, um vírus muito resistente às terapias convencionais, que os comentaristas políticos denominam de "base aliada", entra em ação pela corrente sanguínea do Poder Central e logo o corpo nacional demonstra fragilidade orgânica e mergulha em estado febril. Aplicam-se de imediato liberações de substâncias, que supõem eficientes, as liberações de verbas, injetadas às pressas. A faxina no organismo é logo detida. O vírus avança. Esse vírus não admite algemas! Esse vírus não tolera punições! Esse vírus quer mais e mais benesses! Esse vírus não tem ética! Esse vírus odeia a imprensa! Esse vírus, ah! esse vírus... E aí de quem não atendê-lo. E ai de quem impedir o seu livre trânsito no tecido nacional.
Há uma maioria silenciosa que a tudo assiste. Um dia essa maioria despertará como nos diz Chico Buarque em Rosa -dos-Ventos:

" Numa enchente amazônica
Numa explosão atlântica
E a multidão vendo em pânico
E a multidão vendo atônita
Ainda que tarde
O seu despertar "

2 comentários:

Anônimo disse...

Gostei bastante dos seus textos, professor. Parabéns. Eles nos fazem parar e refletir sobre o que fazemos, o que fizemos, o que faremos e o que deixamos de fazer neste país de tantos contrastes e adversidades. Mais uma vez, Parabéns. E, por favor, não pare de escrever. Continue nos presenteando com textos esclarecedores. Obrigada por sua contribuição.

Lucivanio Jatobá disse...

Muito obrigado, amigo!