22.4.14

AS CHUVAS DE 22 DE ABRIL DE 2014 NO RECIFE


UM EPISÓDIO CONSIDERÁVEL DE CHUVAS NA MADRUGADA DE TERÇA-FEIRA, 22 DE ABRIL DE 2014, NO RECIFE




                Perto do final da madrugada de 22 de abril de 2014,  evento de chuvas fortes atingiu a Região Metropolitana do Recife e alguns municípios da Zona da Mata de PE. Foi algo de formação tão rápida que tornou impossível a previsão exata do acontecimento.
                Por que ocorreu esse evento?
                Algumas razões podem ser apontadas:
1-      O   domingo e a segunda-feira tiveram uma baixíssima nebulosidade na área  do evento meteorológico. A insolação foi bastante forte , o que implicou, obviamente, no aquecimento mais significativo  do oceano, nas suas águas  superficiais.
2-      Esse aquecimento , que ficou mais forte à noite e em especial na madrugada, implicou no ascensão do ar, carregado de muita  umidade.
3-      Estavam soprando, na área, ventos de sudeste advindos de um centro de altas pressões. Por outro lado, fluxos de ar com deslocamento até um pouco anômalo  de direção sudoeste, vindos da Amazônia e do Brasil Central,  convergiram para uma área de baixa pressão que se instalou sobre a parte oriental de Pernambuco.  Para essa mesma área se deslocaram os fluxos dos alísios de Sudeste.  Deu-se, portanto, uma zona de instabilidade atmosférica com convergência e ascensão  de ventos úmidos.

4-      A partir do encontro desses dois fluxos de ar distintos, a nebulosidade acentuou-se, com a formação de nuvens de desenvolvimento vertical, indicadoras de instabilidade atmosférica.  As chuvas ocorreram, então, atingindo aproximadamente 100 mm em poucas horas.


21.4.14

SITUAÇÃO ATMOSFÉRICA DA AMÉRICA DO SUL ( 21/4/2014)

Situação atmosférica   na América do Sul no dia 21 de abril de 2014. A Zona de convergência Intertropical avança sobre o Nordeste brasileiro.. Um Centro de Altas Pressões, acompanhados de ventos de sudeste  instalou-se sobre o interior do Nordeste, determinando tempo estável. Um fluxo de ar úmido sai da Amazônia e desloca-se para o Centro-Sul do país ( "Rio voador ) , mostrando nitidamente a influência da evapotranspiração potencial da floresta sobre a formação das nuvens.

20.4.14

QUAL A FRUSTRAÇÃO MAIOR ?




QUAL A  FRUSTRAÇÃO MAIOR?

                Naquela quarta-feira de abril histórica, uma ansiedade imensa tomou conta de mim e de quase a totalidade da população esclarecida do país. Ía ser votado, no Congresso Nacional , uma Emenda que estabeleceria o retorno das Eleições Diretas para a Presidência da República e Governos Estaduais.  Torcia loucamente para que a Emenda fosse aprovada. Havia em mim um desejo  incontrolável de  votar, pela primeira vez na vida, para Presidente da República.     Na noite daquele dia os noticiários  anunciavam a derrota da Emenda e o seu arquivamento . O país continuaria sem poder ter eleições diretas para aquele cargo.   Que decepção eu tive!
            Em  15 de janeiro de 1985, o político matreiro  e articulador,  Tancredo Neves,  participa das eleições indiretas para Presidente da República, e vence no Colégio Eleitoral o deputado Paulo Maluf , que não era bem-visto nem pelo Governo a quem servia, e atualmente um lulista de carteirinha.  Venceu  Tancredo , mas não assumiu o cargo. Uma doença misteriosa, até hoje não esclarecida,   o acometeu exatamente na véspera da Posse.  Assumiu o Vice, José Sarney.  E tome mais outra frustração nacional!
Depois , com a Nova Constituição da República Federativa do Brasil, são eleitos livremente  pelas massas populares : Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Luis Inácio e Dilma.  O país passou então a conviver, quase que semanalmente, desde então, com um escândalo cada vez maior do que  o outro. A corrupção, que sempre existiu ,desde a fase colonial do país,  institucionalizou-se. Espalhou-se por todo o tecido nacional. Criou-se uma neoética que pode ser assim resumida:  “ Ora! Sempre se roubou!”
Não sei, juro que não sei dizer-lhes  qual foi a minha maior frustração  desde a noite de 25 de abril de 1984. Estou mentindo para vocês; eu sei muito bem qual foi a minha maior frustração, sim!



A IMPORTÂNCIA DAS GRANDES ÁRVORES

Transcrevo, a seguir, um pequeno artigo a respeito da importância desempenhada pelas árvores de grande porte na questão do sequestro do Carbono.  O artigo é  do pessoal do Greenpeace. Trata-se de um comentário  pertinente  sobre um outro artigo , publicado na revista Nature.

" Um artigo publicado na revista Nature (leia aqui, em inglês), uma das mais prestigiadas publicações do meio acadêmico, demonstrou que árvores grandes e maduras têm um importante papel para ajudar a regular a quantidade de gases do efeito estufa na atmosfera.
Até agora pensava-se que só as jovens florestas capturavam carbono da atmosfera, durante seu crescimento, enquanto as mais antigas, chamadas de florestas primárias, apenas armazenavam esse carbono. No entanto, vários estudos recentes têm demonstrado que as florestas primárias intactas também captam o carbono da atmosfera.
Os pesquisadores descobriram que a absorção de carbono das árvores aumenta continuamente com o seu tamanho, porque a área total da folha aumenta à medida que ela cresce. Isso permite que as árvores mais antigas e de maiores dimensões absorvam mais carbono da atmosfera.
Os autores do estudo advertem, no entanto, que as florestas têm dinâmicas complexas: árvores de grande porte estão sujeitas a taxas de mortalidade mais elevadas do que as árvores mais novas; e o número de árvores em uma determinada área pode ser maior em uma floresta jovem. Ainda assim, fica evidente que as grandes árvores antigas são muito importantes, não só para a biodiversidade, mas também para a absorção e o armazenamento de carbono.
O duplo golpe do desmatamento
As florestas, além de serem ricas em biodiversidade e fornecerem serviços essenciais para o ecossistema, armazenam aproximadamente 300 bilhões de toneladas de carbono – cerca de 30 vezes o montante anual de emissões causadas pela queima de combustíveis fosseis. O problema é que, quando elas são degradadas ou destruídas, esse carbono é liberado na atmosfera. Para piorar, grande parte do desmatamento ocorre em florestas primárias, que contém essas árvores mais antigas. 
Portanto, esse novo estudo evidencia o duplo golpe que o desmatamento causa para as florestas: ele não só libera carbono na atmosfera, contribuindo para os efeitos de mudança climática, como também remove uma superfície capaz de absorver as emissões de carbono da humanidade. Daí a importância de lutar para acabar com a destruição de nossas florestas. "

19.4.14

SAUDADE DE JULIE ANDREWS


Saudade de Julie Andrews! Saudade da Noviça Rebelde, filme inesquecível!  Escutem-na:


Eis uma magnífica Cb, ou seja, uma nuvem Cúmulo-Nimbo. E´uma massa imensa d'água, que se desenvolve verticalmente. Essa nuvem gera, normalmente, tempestades localizadas, acompanhadas de raios e trovões. É esse tipo de nuvem que acompanha o sistema atmosférico que causa as chuvas de verão,  retardadas para outono de boa parte do semiárido brasileiro, denominado Zona de Convergência Intertropical. 

CORAÇÃO MATERNO

Há músicas que marcam a pessoa para sempre. No meu caso, foi Coração Materno, de Vicente Celestino, há muitas décadas.
Minha mãe, muitas vezes, ninava-me ou me colocava para ouvir essa canção na radiola. A música era o ápice da letra dramática, extremamente dramática, brasileira da canção popular.
Os versos descrevem o amor sem medidas de um Campônio por uma moça. O Campônio quer provar à idolatrada que a ama e quer que ela lhe peça algo. A amada exige que, para provar que ele a ama, arranque o coração da mãe e traga-lhe.
Os versos me apavoravam, pois imaginava isso acontecendo com minha mãe. Contudo, adorava, paradoxalmente, ouvir Coração Materno no vinil de 78 rpm.
Nunca esqueci os versos, por mais trágicos que fossem....
Apavorava-me com os versos finais:

"Chega à choupana o campônio
Encontra a mãezinha ajoelhada a rezar
Rasga-lhe o peito o demônio
Tombando a velhinha aos pés do altar
Tira do peito sangrando
Da velha mãezinha o pobre coração
E volta a correr proclamando
"Vitória, vitória, tem minha paixão"
Mas em meio da estrada caiu
E na queda uma perna partiu
E à distância saltou-lhe da mão
Sobre a terra o pobre coração
Nesse instante uma voz ecoou:
"Magoou-se, pobre filho meu?
Vem buscar-me filho, aqui estou,
Vem buscar-me que ainda sou teu!"

Eis a canção, na extraordinária interpretação de Cida Moreira.
Eis a magnífica interpretação de Caetano Veloso  para Coração materno

O  MEDO

      Quarta-feira, à  noite, da Semana Santa de 2014,  fui forçado a terminar mais cedo a minha aula de Análise Climática. Discutía, com meus queridos alunos, um tema importantíssimo para a questão ambiental, as relações  entre  o Sol e a Terra. Apenas uns 15% de uma turma de 30 alunos compareceram  à aula. Estranhei. Não pensei em boicote , pois os alunos nunca me fizeram tal desfeita durante as décadas em que leciono na UFPE. O que estava acontecendo para tal esvaziamento, sobretudo no dia em que resolvi analisar a questão das secas  e os ciclos de manchas solares?
      Sentindo no ar um misterioso “clima de apreensão” na turma, resolvi encerrar a aula antes do tempo.  Uma aluna percebendo o meu constrangimento , conversou comigo:
- Professor, o senhor desculpe pela falta dos colegas. E´que está todo mundo apavorado para  pegar um ônibus, pois hoje é dia do jogo do Sport com o Náutico.]
- Sim, mas por que  isso? – indaguei.
E´que agora , quando tem jogo, podemos ser agredidos , violentadas e até mortos dentro dos ônibus!!!!  São as torcidas organizadas, professor!
       Voltei para minha casa muito preocupado com a segurança daqueles meninos e meninas que  vão à Universidade em busca do conhecimento  e mergulham no mundo do medo.  Já tive de dois anos para cá três alunas que foram assaltadas dentro do campus e uma colega   professora agredida por um bandido enquanto saía do Gabinete dela em direção à sala de aula.

       Em cada esquina do país, o deus Pan aguarda os que saem de casa.


AS ATRIZES
       Considero As Atrizes uma das mais belas composições da fase subatual de Chico Buarque. O tema traz à baila o saudosismo , ao retratar a fixação que nós, meninos dos anos 1960, tínhamos nas mulheres lindas que povoavam a nossa imaginação a partir das imagens delas que víamos estampadas na tela dos cinemas. Elas eram as nossas amantes,  das quais não  sentíamos ciúmes. Eram amadas por nós na solidão de um quarto ou de um banheiro.
        Pouco conhecida, a canção As Atrizes merece destaque no nosso Blog.
        Eis os versos:

As Atrizes


Chico Buarque

Naturalmente
ela sorria
Mas não me dava trela
Trocava a roupa
Na minha frente
E ia bailar sem mais aquela
Escolhia qualquer um
Lançava olhares
Debaixo do meu nariz
Dançava colada
Em novos pares
Com um pé atrás
Com um pé a fim
Surgiram outras
Naturalmente
Sem nem olhar a minha cara
Tomavam banho
Na minha frente
Para sair com outro cara
Porém nunca me importei
Com tais amantes
Os meus olhos infantis
Só cuidavam delas
Corpos errantes
Peitinhos assaz
Bundinhas assim
Com tantos filmes
Na minha mente
É natural que toda atriz
Presentemente represente
Muito para mim

Para ouvir a canção, na interpretação de Chico Buarque , clique em:
https://www.youtube.com/watch?v=gltPveqepCI

18.4.14

OS PÁSSAROS


OS PÁSSAROS
Lucivânio Jatobá

O pássaro deu um voo rasteiro, como fazia sempre pelas manhãs. Apanhou um alimento e voltou para o ninho, que permanecia arrumado, apesar da inquietação de um filhote que nele habitava. Lá dentro, o filhote faminto aguardava a comida diária.
O filhote foi crescendo rapidamente. Apareceram-lhe as primeiras penas e uma necessidade de fazer um voo, semelhante ao do pai , para adquirir alimentos no chão do quintal. Equilibrando-se, com dificuldades, o filhote batia asas e sonhava com voos amplos para horizontes longínquos.
O filhote aprendeu a dar pios, que ficavam cada vez mais altos e mais alegres.
O pássaro- pai , como fazia sempre, foi buscar alimentos mais longe, numa certa manhã, e demorou um pouco mais nessa busca. Ao voltar, encontrou o ninho vazio. Ao lado, pendurado num galho, um caju mostrava-se todo roído e inerte. Só agora prestara atenção a este detalhe da árvore que abrigava todos. O pássaro-pai olhou para todos os lados, emitiu um canto triste, mas meio solene. Cantou, e cantou e cantou sempre mais alto. Inútil. Escutava apenas o barulho da discussão de duas pessoas lá fora e ruído de automóveis. Nenhum pio foi ouvido mais ...

( A foto do caju foi extraída da página da amiga Ana Amélia Lins)

22.2.13

A DIFICÍLIMA ARTE DE ENSINAR NO BRASIL ATUAL


  A  DIFICÍLIMA ARTE DE ENSINAR NO BRASIL ATUAL

       Há 38 anos, mais ou menos, abracei a profissão docente. Muito moço, quase um menino, como dizia uma amiga minha, entrei numa sala de aula, no segundo semestre  do primeiro ano de universidade. Entrei e, mesmo com o forte stress dos primeiros dias, permaneci na profissão até hoje.   Já ensinei a milhares de pessoas em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Paraná e Bahia. E ensinei sempre acompanhado de um entusiasmo enorme.  Sentia-me um felizardo por ser professor!

       Atualmente, e no momento em que me encontro com muito mais experiência docente, didática,  fui tomado de uma total desesperança, a ponto de pensar em afastar-me para sempre da sala de aula. E por que?

       De uns dez anos para cá, mais ou menos, ou até um pouco mais, os pilares em que se apoia a educação em qualquer lugar do mundo foram desconstruídos no Brasil: Hierarquia, Disciplina, Ordem e Respeito aos Professores nos colégios e nas instituições de ensino superior.  Houve uma total inversão de valores que impossibilita qualquer trabalho docente sério.  Poucos , por exemplo, são os professores universitários que topam enfrentar o quadro adverso que encontram diuturnamente na sala de aula. Preferem colocar em seu lugar “ monitores”, alunos de mestrado em estágio de docência, ou aplicar semanalmente “provas” para assim conseguirem sobreviver psíquica e fisicamente.

      Os alunos, inclusive universitários, vão para a instituição de ensino não com o propósito de aprender, de discutir novas ideias e tecnologias, mas para brincar, conversar em sala de aula e, com certa frequência, debochar dos professores que, em pé, sobre um tablado  improvisado, trabalham conteúdos, às vezes de grande complexidade e importância para a sociedade que, inclusive, está financiando as faculdades e universidades públicas. Constantemente, sou forçado a interromper a minha aula para pedir silêncio e atenção ao que estou abordando didaticamente. Mas esse tipo de pedido é absolutamente  inútil. Poucos minutos após a solicitação ter sido feita, a conversa continua, os bilhetinhos de papel circulam entre os colegas, os risinhos  voltam após a leitura daqueles...  Sinto-me no papel de um palhaço, que nem aplausos recebe após a “ópera bufa” que representou.

      Existem exceções, é verdade. Há alunos conscientes, interessados, que sabem que o mercado de trabalho, lá fora, é exigente e não absorve profissionais indisciplinados e com péssimo currículo. Esses são uma minoria, pelo que observo. O mercado lá fora não tem a permissividade absurda em que deixaram mergulhar a universidade brasileira.

     Considero, com grande amargura, que ensinar atualmente, em qualquer nível, é apenas uma perda de tempo.

21.2.13

EDITORIAL DO GLOBO SOBRE A BLOGUEIRA CUBANA PERSEGUIDA NO BRASIL

A intolerância recepciona Yoani Sánchez (Editorial)

O Globo
A denúncia publicada pela revista “Veja” de que o embaixador cubano no Brasil, Carlos Zamora Rodríguez, patrocinara reunião em Brasília para abastecer grupos radicais de “informações” contra a blogueira Yoani Sánchez foi o sinal de que a viagem da cubana dissidente ao Brasil poderia não ser tranquila.
Para tornar o fato mais grave, participou do encontro Ricardo Poppi Martins, militante petista coordenador de Novas Mídias e Outras Linguagens de Participação, da Secretaria Geral da Presidência, de Gilberto Carvalho. Entre os presentes à reunião, articulada pelo coordenador político da embaixada, Rafael Hidalgo, havia mais representantes do PT, além do PCdoB, da CUT, etc.
 
 
Impossível não estabelecer relação entre a reunião de “agitação e propaganda” patrocinada pelo senhor embaixador cubano em Brasília, na qual foi distribuído pelo menos um CD da ditadura cubana para ajudar a difamar Yoani, e ruidosas e agressivas manifestações feitas por grupelhos na passagem da blogueira principalmente por Recife (PE) e Feira de Santana (BA).
Um dos símbolos da luta pela liberdade de expressão em Cuba, Yoani teve a melhor das reações diante da claque que avançou com violência contra ela no Recife: “Esta é uma expressão da democracia que espero ver em Cuba.” Mas, assim como em Cuba, ela teve limitada a liberdade, pois, na Bahia, não pôde ser exibido o filme “Conexão Cuba-Honduras”, um dos motivos de sua viagem, depois de cinco anos de tentativas de obter visto para ir ao exterior.
Recebida ontem no Congresso, por iniciativa correta da oposição e apoio de pessoas sensatas da base do governo, como o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), Yoani, com a sua viagem, ajuda a sociedade brasileira a ter uma ideia de como se articulam, dentro e fora do governo, grupos radicais, antidemocratas, intolerantes.
A tíbia reação do Itamaraty a uma reunião numa embaixada estrangeira para deflagrar uma ação política de sabotagem em território nacional já demonstra o poder dessa gente em Brasília.
Ficou evidente, ainda, que se usa a mesma rede de militância existente na internet — a partir de perfis falsos, e-mails de “laranjas” — para disseminar acusações de toda ordem contra Yoani, deixando a impressão digital de uma operação orquestrada. Mais uma vez. Até os cartazes, como registrou a cubana em seu blog Generación Y, brandidos contra ela no desembarque, eram padronizados.
Nada a estranhar quanto a manifestações. É parte da democracia — que não existe mesmo em Cuba. Lá, ativismo político só a favor. O preocupante é quando esquemas autoritários de militância têm raízes dentro do aparelho de Estado.
A pressão sobre a blogueira no Brasil expõe algo bem mais grave do que a ação de minorias fanáticas.

20.2.13

                          "NÓIS SOFRE, MAS NÓIS GOZA"

                Tarcísio Pereira, o grande livreiro do Recife, não joga a toalha nunca. E por que teria de jogar?  Agora, no Carnaval de 2013, novamente, colocou o bloco “Nóis Sofre , mas Nóis Goza”  na rua, mais especificamente na Rua Sete de Setembro , no Recife.  ( Vejam a fotografia)

                O Nóis Sofre... surgiu na década de 1970, mais especificamente em 1976.  Apareceu do nada, geração absolutamente  espontânea, diriam os “biólogos do Carnaval”.

A Livro Sete, que naquele ano funcionava num casarão  branco  na rua homônima, era o ponto de encontro e de alívio intelectual, sempre a partir de 16 horas. “Gente da melhor qualidade” – na gíria de então- reunia-se ali no casarão  para saber das novidades literárias, das prisões ocorridas, da nova edição do jornal Opinião e, como sempre, para fofocar... Parece que, numa dessas tardes, uma parte desses assíduos frequentadores perguntou a Tarcísio se ele toparia fazer um “bloco de sujos”, que sairia do Casarão até o Pátio de São Pedro, mas sem orquestra de frevo sem nada. O toque seria apenas de latas...  Mas, como se chamaria esse “bloco”?

                Contou-me José Mário Rodrigues, o poeta que Ângelo Monteiro chamava de “ O Incomensurável”, que certa vez, indo para Itamaracá, num ônibus que saía de hora em hora, de uma parada à beira do rio Capibaribe, sempre lotadíssimo, observou uma cena e ao final colocou no seu inseparável “caderninho de anotações poéticas”. A cena: duas mulheres, bem populares e gordas, estavam em pé, naquela “lata de sardinhas Coqueiro”. Quando passava algum passageiro para descer, obrigatoriamente aquelas senhoras eram comprimidas contra as cadeiras ou o ombro do passageiro que estava sentado.  Durante  várias vezes, a cena repetiu-se. E aí, subitamente, uma das mulheres virou-se para outra e disparou esta: “Neguinha, que aperto da gota serena!” E a outra prontamente respondeu: “E´mermu!  Mas, nóis sofre, neguinha, mais nóis goza.”

                Estava ali, naquele curto diálogo inusitado, o título do “Bloco de Tarcísio”, como ainda hoje é conhecido.  Naquela frase-título havia muita ironia, inclusive para os tempos de sofrimento pelo qual passavam os intelectuais pernambucanos naquela fatídica década. Sofrimento o ano inteiro, com perseguições, prisões, censura, proibições diversas, mas gozo no sábado de Zé Pereira, pelas ruas do Recife. ( "Mas é Carnaval, não me diga mais quem é você...!", cantávamos)

                Vi o segundo “desfile” do Nóis Sofre... Lembro de algumas coisas que ocorreram na “concentração” do Bloco no casarão branco. Duas dessas coisas ressaltaria aqui. A primeira foi a confecção do “estandarte”,cujo desenho foi feito, na hora, pelo artista plástico Cavani Rosas. A segunda, o prof. sempre sisudo, Josemir Camilo- atualmente lotado na UFPB/Campina Grande- carregando, e fazendo “acrobacias” pelas ruas, o estandarte improvisado.  Tomei muita cerveja naquele sábado de 1977 e esqueci dos outros detalhes. Quando lembrar desses “outros detalhes” continuarei  essa quase  crônica...

Nesta última foto, estou "marcando presença" em 2013 . Neste ano, o bloco homenageou o Grande Brasileiro Joaquim Barbosa, conforme pode ser visto na foto acima.
Na primeira foto, meus amigos Lúcia Cristina ( geógrafa) e Gilberto ( professor). Eles não perdem um só desfile. Vão até de maca...

19.2.13


QUE VERGONHA!

     A 0h 30 desta terça-feira, dia 19 de fevereiro de 2013, chegou ao aeroporto dos Guararapes, no Recife ( Brasil), a sra. Yoani Sanchez.  Quem é ela? Atualmente é uma das pessoas cubanas mais conhecidas no exterior.  Yoani luta, como uma espécie de “Quixote do Caribe”, por um bem essencial à vida humana: a Liberdade de Expressão. Em Cuba- qualquer pessoa de bom senso sabe-  essa liberdade inexiste, e não é  de hoje. Cuba sepultou os ideais humanistas do Socialismo puro.
     Esperava-se uma recepção decente à  fisicamente frágil blogueira de Havana. O Brasil tinha essa fama, a de ser um país hospitaleiro. Tinha!  O que ocorreu ontem no Aeroporto dos Guararapes foi uma vergonha. Agrediram a jovem senhora com palavrões, palavras-de-ordem ensaiadas agressivas e até tentativa de agressões físicas, ( puxaram-lhe os cabelos)  desrespeitando, assim, a Lei Maria da Penha, tão rigorosa no Brasil.  Mas quem estava lá para defender a frágil senhora? Onde estavam as forças policiais para “manter a ordem”?  Onde estavam os defensores dos Direitos Humanos? Onde estavam  as feministas que saíram às ruas, recentemente, em defesa das vadias? Yoani Sanchez não é uma “vadia”; ela é uma cidadã corajosa que enfrenta, apenas com um computador , a tirania de uma dinastia que se diz “socialista”.
      Fui admirador e seguidor dos princípios fundamentais do Socialismo. Mas. para mim, ser socialista era ser libertário e não liberticida.
      Pernambuco pede-lhe desculpas, sra. Yaoani Sanchez!   Pernambuco não é isso que a senhora viu no Aeroporto Internacional dos Guararapes!  Pernambuco foi o berço da República e das lutas libertárias.
      Vou procurar um buraco no solo e enfiar a minha cabeça!
A ZONA DE CONVERGÊNCIA INTERTROPICAL (ZCIT)

          Nesta noite de terça-feira, 19 de fevereiro de 2013, às 20h30 , observei a imagem de satélite hemisférica, divulgada pela NASA. Encontrei , nessa imagem, que, aliás, é muito bela, indícios de que a Zona de Convergência Intertropical está migrando para o sul e atingindo fortemente o Ceará. Esse sistema atmosférico, eminentemente tropical, é o principal responsável pelas chuvas de verão-outono que ocorrem no semiárido nordestino, particularmente nos Estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.  Eventualmente, atinge, também , o  Sertão alagoano.  Quando a ZCIT não faz essa migração meridional, a seca no semiárido desses estados é certa. Voltaremos a falar sobre esse sistema.  Por enquanto, observem o avanço das nuvens no Ceará, na data mencionada. Vejam, também, uma linha de instabilidade de direção SE-NO , na altura de AL-PE.



26.12.12


 UMA NOVA ÉTICA

     Sábado, dia 21 de dezembro de 2012, vinha com meus alunos numa excursão didática, pela BR 101, quando, de repente,  avistei a cena chocante: um caminhão de carga  virado, na rodovia, engarrafamento e as mercadorias que transportava espalhadas pela estrada. Isso tudo nas proximidades da cidade de Goiana, Zona da Mata Norte de PE.
     O que me chocou mais  nem foi a violência do desastre, mas a violência das pessoas que, de carro, paravam para saquear a carga.  Pude ver uns elementos- utilizando o jargão de Delegacia de Polícia-  chegando numa FIAT e  correndo para pegar sacos enormes de mercadorias, às vistas de todos.  Todos os elementos se achavam com o direito de “expropriar” a carga, como se isso fosse o “normal”. Como se a propriedade privada no nosso país tivesse sido, na prática , abolida. E mais, como se a solidariedade humana houvesse sido apagada da convivência humana.   Nem os animais inferiores comportam-se assim. É  como se uma neoética estivesse sendo materializada no país, surgindo não sei de onde. ( Na verdade, todos sabem de onde  surge).
      Essa mesma cena de “saque  rodoviário”, feito tranquilamente à luz do dia e sob as vistas indiferentes de autoridades policiais, tornou-se algo comum no Brasil. Muitas vezes, o coitado do motorista está lá agonizando, entre ferragens retorcidas, sangrando, e as pessoas, incapazes de um gesto humanitário,  preocupadas unicamente em afanar o que o coitado transportava. O país parece está se dirigindo velozmente  para a barbárie.
      O país necessita urgentemente deter essa onda gigantesca de amoralidade e restabelecer a ordem e o direito à propriedade privada que, me parece, ainda está lá na Constituição nossa, antes que seja tarde demais.

“THE FIRST NOEL”
                     Lucivânio Jatobá

            Ao ouvir a canção, desenham-se , de súbito, na minha mente, as imagens remotas e que parecem sepultadas na memória. Minha mãe aprontando-nos para a Missa do Galo , na Igreja da Matriz em Santo Antão da Mata, passando na minha cabeça o perfume Lancaster e um pouco de brilhantina Glostora. Meus irmãos, ainda bem pequenos, animando-se com os brinquedos instalados na praça. Meu pai colocando o paletó branco e lenço marrom no bolso. A família dirigindo-se, em paz, para comemorar o Natal, naquela cidade da Zona da Mata pernambucana
          A carrossel dos cavalinhos imóveis girava incessantemente. Sentia-me tonto com aquele movimento interminável. As pessoas ao meu redor giravam. Via meu pai olhando-me e rodando em sentido contrário ao meu movimento! Passado o momento da cinetose e do enjôo causado pelo carrossel, corríamos para a barraca de Mané Poças para comer o inesquecível cachorro-quente, cuja receita aquele homem jamais revelou.
Os sinos da matriz, que Brigitte, o aprendiz de sacristão, batia, anunciavam que a missa logo iria ter início. Na escada do templo religioso, um coral improvisado da cidade entoava cantos natalinos. Segurando na mão de minha mãe, mirava o coral e ouvia atentamente a canção inesquecível.
          No dia seguinte, o 25 de dezembro , acordaria ansioso para olhar sob a minha cama e sobre os meus sapatinhos empoeirados, o “presente de Papai Noel”. Naquele ano, ganhei um cavaquinho.
          Hoje, imerso na realidade, o Natal é um momento de vazio inexplicável. Não há tempo para sonhos, fantasias, ouvir coral natalino, observar pastoril , girar no carrossel, comer o cachorro-quente de Mané Poças e muito menos para verificar presentes sob a cama, no dia 25 de dezembro. Tudo é real demais!
          Restam agora a saudade de um tempo perdido e aquela canção inesquecível: "The First Noel". Há sempre uma melancolia no Natal que , como uma lâmina afiada, corta almas aflitas.


     O   SISTEMA CLIMÁTICO


Organizei este livro, que contém  capítulos escritos por mim, Rachel Caldas Lins , Gilberto Osório de Andrade ( in memoriam) e Alexandre Medeiros, pensando no ensino de Climatologia.  E´um trabalho voltado para os estudantes de Geografia, de Biologia e de Ciências Ambientais  que aborda questões de Climatologia Geral e  outras relacionadas ` a dinâmica atmosférica do Nordeste brasileiro.
Para mais informações sobre o trabalho em pauta e como adquirí-lo, escrever para : luciobr2@yahoo.com.br




7.10.12



 Essas rochas  são intrusivas, ou seja, formaram-se em áreas muito profundas pela consolidação do material magmático,  e sobre elas repousava uma enorme quantidade de outras rochas. O peso, sobre elas, portanto, era imenso. Quando elas, milhões de anos depois, afloraram, houve uma alívio de peso e uma natural expansão. Geraram-se, então, diáclases recurvadas, algumas bastante espessas. A desagregação esferoidal, provocadas pelas oscilações térmicas- morfogênese mecânica- resultam em camadas bem finas, ao contrário daquelas produzidas pela expansão da matéria comprimida.
( Fonte da imagem: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=313113762098870&set=a.353921944684718.81549.100002007464041&type=3&theater

6.10.12


                                                O PRAZER DE VOTAR
                                                      ( Lucivânio Jatobá)

Adquiri de meu pai  o prazer pelo ato de votar. Lembro-me dos dias de Eleição, em Vitória de Sto. Antão, Zona da Mata pernambucana, na década de 1960. Meu pai vestia o terno branco, engraxava o sapato e ia para a Secção Eleitoral dele para votar. Gostava de vê-lo, elegante, votando e depois comentando Política com dr. José Leal de Farias ou com José Augusto Ferrer. Segurava na mão do meu pai, acompanhava-o, e via-o escrevendo na cédula o nome dos candidatos. Como eu queria estar no lugar dele em 1962. Queria ter 18 anos para fazer o mesmo. Mas o tempo parecia andar em câmera lenta.

Meu primeiro voto aconteceu exatamente quando esse ato democrático não tinha mais o menor valor: no regime de exceção! E naquele ano- 1970- nós da esquerda estudantil fizemos uma ampla campanha do Voto Nulo e fomos ferozmente caçados por essa ousadia. Fui votar e votei nulo, pela primeira vez! Depois vieram outras eleições. Nunca para Governador , Presidente da República ou Prefeito. No Recife, essas eleições não poderiam ocorrer, pois era área de “Segurança Nacional”. Só depois, com a Redemocratização do País, pude escolher pessoas para esses cargos.
Votei já em muita gente. E com o tempo e com a maturidade, que inevitavelmente desabrocha com a idade cronológica e com as porradas da vida, , fui votando não mais por ideologia, pura e simples, mas pela honestidade e seriedade dos candidatos. Votei em pessoas de Esquerda, de Direita e de Centro-Direita. Poucos me decepcionaram, é bem verdade. Alguns me causaram ascos depois e um arrependimento descomunal.

Votei já em: Marcos Freire, Roberto Freire, Gustavo Krause, Lula, Fernando Collor, Oswaldo Lima Filho, e até em Enéas. Sim, votei em Enéas, induzido por um dos meus paroxismos de decepção! Votei em Roberto Arraes, Miguel Arraes, Mendonça Filho, Priscila Krause, Bento Bezerra e em outros menos conhecidos , impedidos de ser lembrados agora pelos meus lapsos de memória. Votei em todos com uma esperança fora do comum. Só vou referir-me a um deles que me decepcionou e me fez chorar na beira-mar de Boa Viagem, numa manhã de janeiro, no segundo dia do seu mandato: Fernando Collor de Melo. Votei nesse homem, ingenuamente. Considerava-o como um Presidente que seria um grande estadista. Ledo engano! O outro que me decepcionou, todos devem saber; não preciso mencionar o nome. Você que está lendo essa crônica agora também deve ter tido a mesma decepção minha.

Amanhã, domingo dia 7 de outubro de 2012, novamente vestirei meu paletó, imitando meu pai, e irei votar, no meio das massas populares, no bairro do Vasco da Gama, no SESI, onde sempre votei. Reviverei, como sempre, o meu primeiro dia de votação em 1970, no dia 15 de novembro. E o farei com um prazer imenso e uma saudade enorme do tempo em que acreditava religiosamente nos políticos para quem , orgulhosamente, dava o meu voto.

Não votarei nulo! Votarei por mudanças que acredito necessárias. Votarei pelo democrático rodízio do Poder. Votarei segundo as imposições de minha personalidade democrática. Votarei segundo a minha consciência.
Milhões de vezes uma democracia ruim, como a atual que temos no país, do que um regime de Partido Único! Viva a Eleição de amanhã! Viva a Liberdade!